domingo, 17 de junho de 2007

Simbologias do Eu

Quando sinto a superfície corroer-me
Corro às raízes
Da árvore.

Quando o vento ameaça arrastar-me
Colo-me ao caule
Da árvore.

Quando tudo está obscuro
Subo e repouso a asfixia no lume dos galhos
Da árvore.

E, quando tudo é fechado e fixo
Afasto os invólucros na fragrância das flores
Da árvore.

E, quando me parece tudo tão igual e insípido
Eis que me é ofertada a polpa e a doçura dos frutos
Da árvore.

E, quando errônea ou sábia julgo perdido ânimo
Tenho nova semente
Da árvore.

Um comentário:

neo-orkuteiro disse...

Com cada uma de suas partes presente numa estrofe (interessantemente segundo a ordem usual em que vinham enumeradas nos antigos compêndios didáticos do meu tempo de escolar), a sua árvore simbológica é completa, desde a raiz até a semente.
E que árvore eloqüente, Terê!