terça-feira, 14 de março de 2017

Panorama das Artes Visuais de Cascavel


Convido a todos(as) a prestigiarem essa Mostra, que conta com a participação de 81 artistas. A Abertura é hoje, 13 de Março às 19:30 horas. Gratidão aos integrantes da Semuc- Secretaria Municipal de Cultura de Cascavel, pelo empenho e organização.

A exposição prossegue até o dia 26 de abril. Visitem. Prestigiem os artistas da Casa.
Agradeço imensamente e parabenizo a todos que tornaram esse evento possível. Haja Arte! Haja Vida!

Uma publicação transatlântica de meu trabalho literário

Honrada e agradecida ao António Carlos Ferreira Vitorino, por essa bela edição, com participantes de vários países, um presente inesquecível. Debaixo do Bulcão
Para leitura basta acessar o link abaixo. 
Estou na página 6, com o conto "O Homem invisível" do livro "A licitude dos olhos" contos, Editora Penalux 2016

ANTOLOGIA LOGOS/FÉNIX ESPECIAL DE MARÇO 2017 - MULHERES PELA PAZ (AUGSBURG/ALEMANHA)




DIA 8 DE MARÇO - DIA DA MULHER - ANTOLOGIA LOGOS/FÉNIX ESPECIAL DE MARÇO 2017 - MULHERES PELA PAZ
(AUGSBURG/ALEMANHA) - COM 315 PARTICIPANTES

Para ler cada minúcia, há mulheres lutando dia após dia, há poemas e pinturas, há vida!

Gratidão Carmo Vasconcelos e Henrique L. Ramalho. Parabéns pelo vosso valoroso trabalho. Bem-haja!


Estou nas páginas: 09 - 21 - 28 - 36 - 46 - 50 - 57 - 62 - 68 como Artista Plástica, e, na pagina 66, como Escritora.











PORQUE SOMOS A ANTECIPAÇÃO DOS BERÇOS

Tere Tavares


Quando o céu se tinge e tange o silêncio e o Sol chove no horizonte.
Subtraem-se as misérias. Salientam-se as consciências.
Divinizam-se as esperanças.
Ascendem-se mãos sem escusas.

Desculpas ao pássaro velho e ao velho pássaro.
O céu é anônimo ainda que navegado com suas asas.
Isso não o reduz. Rediz-lhe somente o quanto há de farrapos por recolher.

Somamos na feminilidade as dobraduras do ar.
Como um livro que nos lê às escuras.
Transborda-nos um sorriso que enseja uma haste de imensa paz.
[Para o ser basta a folha]

E nós, florescimentos que são Terra sempre, transmutamos em hino o lamento.
Cultivamos um colorir de olhares insubmissos.
Um recolher-se na árvore mansa mesmo que em solo estrangeiro.
Com a lisa ilusão de que nem tudo é ilusão ou voos com falhas.
Fazemos do que nos habita nosso próprio meio de tráfego no Mundo.

Porque sabemos a ventres.
Porque somos Mulheres.

Tere Tavares
Cascavel - Paraná - Brasil
meusoutros.blogspot.com.br


Tere Tavares, escritora e artista plástica, radicada em Cascavel, PR, Brasil, autora de seis livros publicados "Flor Essência" (poesia 2004), "Meus Outros" (poesia e prosa 2007), "Entre as Águas" (contos 2011), “A linguagem dos Pássaros” (poesia Editora Patuá 2014), “Vozes & Recortes” (contos Editora Penalux 2015), “A licitude dos olhos” (contos Editora Penalux 2016). Participa de várias antologias no Brasil e Exterior em diversas mídias.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Participação na 24ª Antologia "LOGOS" - JANEIRO 2017, da FÉNIX.

Minha participação na
24ª Antologia "LOGOS" - JANEIRO 2017, da FÉNIX, que apresenta, nessa edição, um total de 310 participantes, de 16 países. Segundo Carmo Vasconcelos, LOGOS pode ser visto como o "MOTIVO" de todas as coisas, sendo a causa que explica o anseio existencial humano tão discutido pela filosofia. 
Gratidão aos editores  Carmo Vasconcelos e Henrique L. Ramalho, e parabéns por mais essa edição. O vosso trabalho enobrece a Literatura Mundial.


A MANHÃ


Tela de Tere Tavares

Flores Difusas -2016 - 30x21 cm- técnica mista

As doze estações, nenhum sinal de outro ser por perto, os dias, e o feriado. A indivisibilidade era tudo o que cercava aquelas montanhas, aquele espaço inclemente. Eugenia sempre gostou e admirou o menino, do fundo d’alma. Era um homem, entretanto, que ela enxergava sob o chapéu de cores cruciais: Arthur. O afastamento não é próprio do humano. “Nossos olhos convergem. Sem tergiversação. Sem evasivas nem divisas. Somos espalhados, dispersos como espelhos em nosso des-olhar. Por vezes é bom não ver – as coisas visíveis são as que mais tropeçam”, dizia-lhe Eugenia, friamente.
Eles eram como flocos de inassiduidade dispostos lado a lado à procura de maiores satisfações, como hastes que ascendiam unicamente por saberem-se na mansuetude de algo incontrolável. “Arthur, acaso imaginas os cálculos cáusticos, perdidos nas subtrações que se contorcem nas contas dos rosários? Não é preciso livrar-se do que nos livra.”
Eugenia emergia daquelas absorções e, como um arum, se fendia, feria as paisagens, sem auferir se sangrava ou não. Ela abraçava o mundo. De cima, onde é sempre bom saltar. Porque nem o céu lhe era limite Faltava-lhe algo – talvez a felicidade. Tudo parte algum dia. Ir embora. Esse destino chega para tudo e para todos. Como cores que se desgarram do zelo e pintam o desconhecimento com toda a intensidade.
“As cores falam a verdade. A verdade é colorida. A verdade é "a noite estrelada". Vou rever todo o arsenal de montanhas com que se carregam os teus objetivos. Que eu acato sem escusas. Quando a falha é sede e sanidade. Vem Arthur, que já desabrocham os mananciais, e a beleza suspira profundamente – tudo acontece e se prolifera no grassar dos gestos que nos preenchem”.
Ele a escutava e lhe dizia: “Eugenia, veio-me à mente o caule amolecido que, à passagem da ventania, apenas enverga-se e a deixa passar, com toda a mixórdia que ela traz nas entranhas; esse caule não se fere, porque escorre com sabedoria. Cá de meu invólucro sinto que o resto é a mesma parte, contexto, um inteiro desmedido. Não há restos quando ninguém sobra; o resto é um mendigo sem fome [o que fazer com o resto?] Eu te diria que a divisão é o que preocupa. Doa-te inteira meu amor. Hoje o universo nos cobre com bondade. Sublima-nos a vida com toda sua beleza. Muito ou pouco, partir ou ficar, o que preferes Eugenia?”.
“Arthur, só o que me é dado, nem demais nem de menos. O que é suportável e transportável. Das travessias que percorro há, por dentro, um derramamento, um quase apocalipse, a vulnerabilidade um tanto etérea para mim. Sou tudo o que faço e o que me faz. “Torna-te amigo da lâmina para não lamentares o corte” aconselham-me. Embora as interpretações estejam um tanto desfiguradas, e a perda da humildade, do ser humilde, se reduza numa identidade desconhecida e não tenha senão as fluências imaginativas, construtoras de um espaço multifacetado, eu divago esperando alcançar o ente verdadeiro – que conhecemos todos das legiões. Fecho os olhos e ainda assim os vejo. Ou sinto-os. Ainda não sei bem, movimento-me num surf de emblemas e mantras, sutras e salmos. Aventuro-me calada e contrita. Provo por que me agrada. Haja calor para dizer-me o que fazer desse oráculo irreparável que teima em não secar".
Eugênia reportou-se à infância que não excluía da sua carga de leveduras. “A lua mais linda que já li é ali, junto à fome que se estende num prato não degustado, porque de prata e só prata no fundo. Não, o tempo é como um rol de fatias que, mesmo assim é inteiro. Não há que esperar a hora maior para insuflar-se do que há entre pele e ossos, memória e mente. A visão, no topo, tem novo nome, o valor liberto, tátil e sonoro Arthur”.
Ela aguardou por outra incursão em sua benéfica e reiterada história, entranhada cruelmente no seu anseio por um sono ininterrupto, aveludado pela paz do que não havia vivido ainda. Eugênia sentia o estertor sem feitios que se entranhava irrecuperavelmente nas veias ébrias da noite, como se a morte não fosse morte e se instalasse na sua fronte para causar-lhe medo. “Não vejo na morte o castigo. Mas a missão cumprida”.
Na ânsia pelo decorrer dos dias, Arthur perdia-se no que havia sido e não tinha vindo dele, sequer sonhado. Nenhuma divindade o protegia da exatidão da sua retrospectiva inacabada, quase vil, diante do mundo onde qualquer movimento seria inútil. Suas histórias que, só numa semiconsciência elaborava, davam-lhe a certeza de que fora diferente do que consentia. Via-se como um arvoredo a verter seiva incessantemente, pensava, passado aquele torpor inevitável e inconcluso, a matéria revisada e impossível de restaurar – não houvera a falha senão o descuido que nenhuma metafísica de causas primeiras ou últimas poderia reverter ou resgatar do abismo do qual não há retorno, exceto noutro mundo que fosse recriado, e criado sem ele. Arthur se enterraria num pântano como um fruto raso e sem sabor, cuja claridade escurecera e sabia não estar mais em si, pois que não mais àquela dimensão pertencia.

Tere Tavares
Cascavel - Paraná - Brasil
Tere Tavares, escritora e artista plástica, radicada em Cascavel, PR, Brasil, autora de seis livros publicados "Flor Essência" (poesia 2004), "Meus Outros" (poesia e prosa 2007), "Entre as Águas" (contos 2011), “A linguagem dos Pássaros” (poesia Editora Patuá 2014), “Vozes & Recortes” (contos Editora Penalux 2015), “A licitude dos olhos” (contos Editora Penalux 2016). Participa de várias antologias no Brasil e Exterior. Tem poemas/textos publicados em diversas revistas e jornais literários. É colaborada do Blog Dardo. Integra a Academia Cascavelense de Letras. Edita o blog: meusoutros.blogspot.com.br

http://www.carmovasconcelos-fenix.org/LOGOS/L24/LOGOS24-Jan2017-58.htm