quarta-feira, 14 de março de 2012

Feliz dia da Poesia



Das linhas antes minhas

perdoai os versos dúbios,
as não-conclusões.
eu me afeiçôo
ao fervilhar das idéias;
induzo e vós deduzis,
insinuo e vós pensais.
ao fazer me desfaço,
ao escrever me despertenço
sobretudo, sobre mim,
instigo-vos.


Monólogos

I

o mundo vai além das minhas dúvidas.
há em mim ramagens estranhas.
diria, tenho nas entranhas, 
todas as árvores do mundo.

admiro a possibilidade que sinto múltipla por ser simples
e, sorrio à que percebo complexa por ser única.

deram-me o amor para existir
e, no que amo, a existência suprema e lenta,
instala seu lume.
e só de plumas é o anjo que me pensa e sente
a jura de alegria com o soluço da mente na boca.

toda minh’alma é um lenço convulso por entre as folhas.

II

as coisas com que falo
têm a voz dos princípios e desertos,
têm todas as vozes dos perdidos,
e me seguem, ouvindo.

me aquieto no escuro
como quem foge ou se esconde
e, neste esconder, cubro-me
de um ser tão ínfimo para o mundo,
quanto é branda a calmaria das horas
a quem tem a eternidade para si.

quando a ausência de tudo está em mim,
sinto-me, em tudo, mais presente.

durmo, e não sei a tranqüilidade santa
de quem, verdadeiramente, dorme.

cada dia é um oráculo que circunda 
e realça o sentimento, e na leveza que me enleva,
vislumbro a sombra que me inunda
e a luz que me sucumbe.


III

a felicidade é um esquecer-se,
um estreitar-se num segundo, 
antes que passe.

o assédio sábio da lua
me investiga as emoções.

falta-me a exatidão de quando deixei de sorrir;
consigo supor
que o perdi na lentidão sucessiva dos dias e das noites.
também não atino quanto se passou de vida,
entre o sorriso perdido e a dor que aprendi a sorrir agora.

sou a liberdade que tem de si o gemido silente,
o gosto de cada passo no descompasso de tudo que vive.


IV

de fato, sinto que existe 
a nesga bailarina plena de vida
e, guardo-a num horto qual hóstia fosse
e, rezo-a, no sigilo da alma,
nos meus olhos de menina.

é tão indelével o que se tem da existência
que em tudo cabem inúmeros propósitos.
não fujo de falar comigo:
se é minha vontade entender-me, inicio por estudar-me.

:#Texto do livro Meus Outros 2007 - 
e Tela À luz dos livros OST 30x40 2006:
By 
Tere Tavares#:

quarta-feira, 7 de março de 2012

Como sabes

Como sabes

Ao relevo submisso do espelho admitiu sem negações outra de si. Sem expressão de noções ou julgamentos. Sem mágoas ou amarguras, isenta de culpa por talvez destroçar-lhes quaisquer ressentimentos. Alegrou a tristeza no segmento de um objetivo ou de um objeto para tudo o que suportava. Intrometeram-se luminescências que se fecharam abertamente nos florescimentos vindos de fora. E persistiam em diversos murmúrios.  Como os dias iguais a todos os dias que ainda submergiam numa loucura feliz. Um acesso exterior e nada para partilhar, apesar do convite – o temor é perdedor assíduo da indiferença – a pior forma de amor que há.

A malha da insônia seria o anzol fosforescente do corpo indefeso. Perto dali morava um cedro cinqüentenário, um canto de corruíra, uma cerejeira onde alguém, com muito zelo, reservara sementes para lhe dar.

Afagou-lhe as pálpebras, os anéis dos cabelos, a face, as formas de pérola. No seu abraço permitiu-lhe o abandono seguro de quem se sente amado.Incondicionalmente. O quarto sempre à sua espera, o quadro de tulipas pousando no coração azulado entre as paredes claras, o ensejo rosado a esperar-lhe o gosto singular, lençóis de algodão perfumados de maciez maternal. Uma ingênua liberdade toldava-lhe a tristeza adormecendo para reconfortar-se no amanhã, com um sorriso corajosamente inesquecível. Sobre uma luz difusa entre singelezas de fogo repetiu como uma canoa flutuante o langor que se perdera numa erva antiga, a cantiga que previa inteira e só por aquela noite a procurara como se soubesse não tê-la. “O inesquecível é o amor que sobra. Para algumas, e só para algumas coisas, que são para sempre.”

Aqueles olhos eram loucos e surdos. E eram também aqueles ouvidos com olhos.  Porque há ouvidos cegos e fragores inaudíveis com olhares: E olhos mudos e lábios olhando as profusões invisíveis ao tato. O paladar pênsil do gesto sem lábios.  Olhar sápido de olivas. E oliveiras repletas de retinas tocando o sol com brumas, com mãos de vinho... “que misteriosos olfatos escondeis além de vós? Precisarei de todos os sentidos ao mesmo tempo.” Ouviu um perfume qualquer que seu coração reconheceu, tocou-o de forma irreversível na escuridão, na proximidade ausente do momento que a prendia até que surgissem os delineamentos de consciência e subconsciência, o desconhecido perguntando se poderia resumir-se. Não com uma resposta qualquer. Tampouco com o retrocesso.

Sobrava-lhe o nada para expressar o mínimo, e não expor estranhamentos a caberem uns dentro dos outros – primaveras com floradas de gelo, verões sendo outonos mornos, invernos de calor a nevar no tropeço das nuvens. As oliveiras misturadas aos sândalos e madressilvas. Flores de laranjeira deslizando pelo tempo, entre as asas dos melros... um mero truque da imaginação, a memória talvez nem sua que se seguia por séculos.

E desse olfato surdo vê a completude indefinida em fractais. Nem tão abstratos assim, a imaginação do gosto lhe saliva a boca. “Não se lembrem de Pavlov. Houve uma vez em que me dei sais. Depois açúcares. Não há nada ou ...talvez alguma coisa aja fora de mim. Vejo novamente quando ouço e novamente toco quando olho. Outra vez me ouço quando degusto. E novamente me alimento quando tudo se mistura nesse inesgotável recurso de meia-estação.”

Multiplicou-se com rebeldia e graça por todas as frações da luz – no colo do ar e do tempo, como as areias juvenis... fecundando-se indefinidamente em oceanos pautados por um eco outro, do outro lado. O lado de dentro.

Texto do livro "Entre as Águas" publicado em
Debaixo do Bulcão poezine nº 40
Almada, PT, dezembro de 2011
http://debaixodobulcao.blogspot.com/2012/03/como-sabes.html

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Interiores

INTERIORES

Tere Tavares


Resisto a tudo, menos à tentação. (Oscar Wilde)




Entre a qualidade e a natureza da própria construção, houve algum dia um céu para as minúsculas evidências, múltiplos destinos e harmonias entrelaçadas?

Percebe a tristeza gasta dos sapatos. É vago porque é vário, porque não é. Reencontra desconheceres que o presenciam. Tenta expor o que há nas falas da visão. Muito além do branco, em paz no próprio desassossego, abstrato. Não passa de tentativas de preenchimento. Um rumoroso enternecer corrompendo o silêncio atroz e doce, passos requeridos palidamente de uma pequena metrópole da alma. Tudo claro e iluminado. Tudo muito pacífico. Imenso. Onde as estrelas nunca mentem sua luz nem o pescador retorna sem o bulício solto das redes.

E os passos se redimem no extrato do estranho dono dos sapatos, do medo exausto de temer o gosto do estranho. Não ter seguidores talvez seja o melhor mérito. O intuito da negação que não se detém a falar de limites, de incongruências. Só de si. Dúbias. E que diante do subterfúgio, inaugura o prazer de pisar. Mas é o nome, apenas o próprio nome a melhor alegoria dos seus pés – E cadê o céu para revelar-lhe a fórmula indolor, o eu preciso de um talvez paulatinamente amadurado na insônia que não cansa?

O fio diluído do menino que voava ultrapassou as farpas. Fugindo sempre que possível de qualquer traço que lhe referisse uma imagem ilusória, improvável. A percepção deve estar diretamente ligada a uma carga elucidativa potencial para instaurar-se no campo da consciência. Temia, acima de tudo, o desconhecimento do objeto que a produzia. O solo não era um fantasma, nem a biologia um aparato tecnológico simplista. Fechou o laptop. Havia sussurros em todas as janelas. Não se deteria a fragmentar os estigmas do silêncio em outro idioma para meia dúzia de pessoas. O painel. O laboratório. A platéia irredutível dos tubos de ensaio. Experiências alegremente concentradas em teorias e teses. As moléculas e as células continuariam a vê-lo. Envelheceu pesquisando como se rejuvenesce. Uma borboleta diáfana e branca pousou em seus cabelos anelados. “Sou um doutor?”


Texto do livro "Entre as Águas".
Publicado também na SEXAGÉSIMA QUARTA LEVA da revista eletrônica DIVERSOS AFINS em 31.01.12. 
Foto da Autora
http://diversos-afins.blogspot.com/ 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cascavel mostra sua Arte



Nesta sexta-feira (3), às 20 horas, será aberta a exposição “Cascavel mostra sua arte”, no MAC (Museu de Arte de Cascavel). A exposição é composta por telas, fotografias, esculturas e instalações produzidas por diversos artistas cascavelenses, assim os visitantes poderão observar os diferentes estilos, técnicas e poéticas dos participantes. As obras ficarão expostas até o dia 2 de março.

A intenção da Secretaria de Cultura é iniciar o ano de 2012 com uma grande exposição para mostrar o que Cascavel produz na área das artes plásticas. “Trata-se de uma exposição que irá agradar a todos os gostos, pois nela teremos desde as obras mais românticas até a arte mais contemporânea, todas produzidas por artistas cascavelenses”, comenta a secretária de Cultura, Judet Bilibio Haschich.

Para que a exposição fosse organizada, todos os artistas plásticos de Cascavel foram convidados a participar das inscrições no período de 5 de novembro a 20 de dezembro de 2011. “A exposição conta com a participação de 17 artistas e serão mais de 40 obras. Esperamos que essa variedade de trabalhos e estilos artísticos atraia a população de Cascavel”, destaca a coordenadora do MAC, Ana Lúcia Simão.

Para a artista Tere Tavares a exposição é uma ótima oportunidade para mostrar o trabalho de vários artistas de Cascavel. “Achei uma iniciativa muito boa, pois assim a população acaba conhecendo as várias vertentes artísticas da nossa cidade”, comenta. A artista Nani também ressalta a importância da exposição. “Essa é uma maneira de ressaltar a produção artística de Cascavel, isso contribui para que novos talentos surjam”.


Participam da exposição os seguintes artistas: Alexandre Schuck, Beth Araújo, Blanca da Paz Trevisan, César Ferreira, Claudius, Jayne Pochmann, Keila D’Lima, Loiri, Lyria Wolf, Malu Rebelato, Nani, Nelson Josefi, Nelson Sosa, Tere Tavares, Vera Simon, Yara Doro e Valdir Rodrigues.



Fonte: http://www.cascavel.pr.gov.br/noticia.php?id=20811 
Tela: "Um olhar sobre as flores" - Óleo sobre tela- 90x60- 2010. Tere Tavares

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Enfeitador de paredes


*Resignação... que triste palavra! E, no entanto, é o único refúgio que fica*. Beethoven


Escondeu a inspiração sobre a túnica – sua musa, impossível de expulsar, tampouco se fazia adormecer. Caaba (nunca conseguira descobrir o motivo de haver herdado esse nome) não era, em absoluto, alguém que almejasse atingir “a neutralidade serena imparcial e objetiva”. Tampouco abdicava dos reflexos do espírito mesmo que não cessassem de serem difíceis.

No seu insólito julgamento, o surreal seria sempre o que ultrapassava o real sem desprezá-lo. Podia viver bem em qualquer parte, uma vez que não exigia muito do mundo.

Estava quase sempre cercado de sorrisos de papel, de amigos invisíveis, alguns bons, outros nem tanto, e outros ainda irremediavelmente distantes. Deixava-se prender sem ligar-se a ninguém.

Em suas viagens inenarráveis refletia sobre como deveria exercitar o esquecimento. Com o tempo percebeu não haver mais nada a ser esquecido. Desenvolvera uma simpatia indiferente, uma gentileza polida. Nunca superficial, hesitante, ou com ausência de pensamento. No olhar lânguido e suave encerrava uma atormentada bondade. Não a compreendia completamente embora lhe parecesse clara.

Procurava guardar o melhor possível de suas experiências, mesmo adivinhando o precipício final em que mergulharia o fruto do que, com toda dedicação, criava para a humanidade. Ter um trabalho que socorresse a todos, eis o mais nobre, o mais fácil, útil, e saudável a se fazer. Para a maioria das pessoas o que sobra da arte resulta em futilidades e desperdício de energia.

Sou um mero enfeitador de paredes” disse para si mesmo tendo a exata sensação de que em breve, muito em breve, seria ainda mais abandonado.

Chegou ao pequeno cômodo – era quase o nu descendo a escada – removeu os elos dourados do seu sagrado retiro. Pincéis de olhares envelhecidos, bisnagas de tinta misturadas à preguiça dos estojos, óleo de linhaça, solvente, giz. Como lhe era agradável a desordem olente dos materiais que remexia sempre com demorado encantamento.

Alguns quadros inacabados pareciam vigiar-lhe os mínimos movimentos. O pó lamentava a mobilidade do instante. Na mente de Caaba saltitavam todos os esboços que, por uma anônima metafísica, ainda não pudera exprimir. A exposição. O dia e hora marcados. “Que massacre trabalhar sob encomenda. Quem me dera ter à mão algo como “os comedores de batatas”. Monologava movendo-se na engenhosa rudez das superfícies – as paredes sabiam implorar como ninguém.

Lançaria mão do improviso para preencher o que não era possível abandonar.

Imaginando os céus que não existem, perambulou entre dois últimos presentes brancos – como talvez fosse quando se obrigava involuntariamente à ausência das cores.

Caaba ressuscitou um pouco a decisão de continuar vivendo contando com o que era: a alegria dos raros, o trevo de quatro folhas frágeis, o enfeitador de paredes. Ninguém é mais capaz que uma estrela que baixe do espaço sem querer. Não soube como evitar as lágrimas. Beijou a dor, a antiga construtora de sonhos – suas obras: únicos seres no mundo a esperá-lo.

Do livro "Entre as Águas".
Texto publicado no Cronópios: http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=5258
Foto: da autora 

domingo, 18 de dezembro de 2011

De romãs e sinos


De romãs e sinos:

da casca ao sumo,
do sumo à semente

-sinas.














Feliz Natal e Feliz 2012.


Aquarelas da autora: romãs.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pedra do Dia



Na sala pequena e quase escura, deparou-se com a coleção de preciosidades dispostas em bandejas forradas de algodão branco: ali repousavam ágatas, opalas,todas as variedades do quartzo, flor de ametista,
turmalinas, murion, água-marinha, jade, jaspe... Quero essa, disse ao guardador de pedras... Será sua, aquiesceu sob as lentes de quem há anos reportara a arte para além da própria experiência. Tenho que me concentrar para assentá-la na base, e é preciso muita calma e meticulosidade. Eu espero, sem problemas.

Naquela tarde chuvosa e aparentemente sem surpresas,os olhos brilharam como as gotas dos losangos
pequenos e sutis, até que chegasse a noite. As nuvens não interromperam o choro. A rua bem o dizia com seus pequenos riachos de enxurrada. Adiou-se por detrás das chaves, dos betumes que coloriam as aberturas de ferro, pensou em sair e ver o sol suando o meio dia que houvera passado longe da tranca sólida, bem mais impassível que as mãos, que mal conseguiam irromper um delta pela portinhola da sala. Entre os vincos de vidro e uma prisão invisível, ganhou a pedra lapidada e flexível pela qual talvez tivesse esperado toda uma vida.

O dia seguinte, quando a manhã igualmente se derramou para recolher-lhe o sorriso em meio à brandura do corpo, abarcou ócios palpáveis como se tudo se afastasse num torneio de resistências – levantando pesos como brincadeiras enquanto o anel de ametista descansava entre os dedos feito um olho feliz.

(do livro Entre as Águas)
foto da autora

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Quando andar é meditar


A partitura  se expandia pela claridade dos caminhos. Algo de um comportamento sério, introspectivo, contrastava com os lilases e amarelos. Viam-se duas pessoas difusamente compenetradas caminhando, mais por obrigação do que por prazer. Pareciam tristes. Melancólicas. Talvez por perceberem que o tempo lhes havia escoado pelas faces sem permitir-lhes maiores momentos de completo esquecimento. Isso agora pouco importava. A partir dali decidiram ser como aquela criança saltitando descontraidamente à frente, com o mundo todo por percorrer. Eles eram brasileiros, descendentes de uma Europa falida, herdeiros de um país gigante (?) e eram você.

Foto da autora

domingo, 23 de outubro de 2011

O dia em que perdi a cabeça



Tudo quanto aprendi parecia desaparecer. A borboleta que sempre me esperava no mesmo ponto como se posasse para mim, estava seca. O azul das suas asas transportava-se misteriosamente para as minhas roupas. Não consegui divisar mais nada além daquele espaço sem naturezas ou com naturezas que passavam para um assombroso e volátil desconhecido. Meu braço esquerdo tateou algo em que não ousei acreditar e se fundiu nas manchas sufocantemente vermelhas e verdes que ladeavam as margens, enquanto o braço direito dirigia firmemente a pequena deusa de metal.



Pedalei neuroticamente feliz, enquanto me certificava das vertigens gastas que adornavam o ambiente. Não obtive calor nem frio. O ar, exausto com a minha fome por velocidade, se estendia ao comprido das margens. Sem me tocar. Sem proferir absolutamente nada. Como se soubesse mais do que via nos aparatos do possível.
Imitando um ritualista, uma ninfa exterior veio monitorar o meu cérebro entorpecido com suas palavras decepadas: “Sou o desacerto. Talvez um dia comezinho com perfume de rosmarinho. Mensageira dos impulsos de setembro. Em minhas faces de Calíope age uma estrutura que nunca me diz adeus. Sou o amanhã de um livro inconformado que aceita os mais ávidos porquês. O seu não! Perdão, quase esquecia, sou o escorpião dos pareceres. A complexidade do simples, a licença quase sem veias – o descaminho.”

Ela prendera a borboleta e o pó vítreo dos meus azuis entre os dedos.  Não a conservei como era o meu dever. Não queria dever-lhe nada. Foi isso. Evitei desesperadamente a escassez daquela tarde bicolor.

O intervalo que não viveria de razões se apaixonou pela graça que reluzia ocultamente em todas as coisas. O bosque de todos os dias.  Minha incauta metamorfose beijou o irreconhecível.

No difuso túnel que deu início à minha não existência, comecei a suspeitar da humildade das certezas de antes. A definição dúbia das manchas tão vermelhas e tão portas, a veemência da bolha tão única e irremediavelmente verde provavam o meu candeeiro rarefeito, cuja concupiscência sequer se dava conta da lamuriante escolha que não fiz. O sol sussurrava alentos ao meu evanescente brilho porque não havia evidências de tornar-me maior ou mais do que somente minúsculo.

Do livro "Entre as Águas- 2011
Fotos:  Ariel Tavares
Piloto : Jeronimo Tavares

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Quinta Primavera de Museus tem como tema "Mulheres, Museus e Memórias"

5ª Primavera de Museus tem como tema "Mulheres, Museus e Memórias"
A Prefeitura de Cascavel, por meio da Secretaria de Cultura, promove a 5ª Primavera de Museus, que ocorre ente os dias 19 a 25 de setembro. Diversas atividades serão apresentadas, com o tema “Mulheres, Museus e Memórias”, proposto pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus).
Pelo segundo ano consecutivo, o Museu da Imagem e do Som e o Museu Histórico Celso Formighieri Sperança estão inseridos na programação. A edição deste ano envolve aproximadamente 600 museus de todo o país.
A programação conta com exposições, show musical, peça teatral, palestras, contação de histórias, visita guiada e elaboração de colchas de memórias.
Segundo a coordenadora dos museus envolvidos e das atividades, Silvia Prado, “Este evento foi elaborado com o intuito de mostrar a realidade feminina e ressaltar a valorização da mulher em nosso contexto, ou por meio da história”.
As atividades da 5ª Primavera de Museus ocorrem no Centro Cultural Gilberto Mayer e em entidades educativas e sociais. A entrada é franca. Mais informações pelo telefone (45) 3902-1442.
Confira a programação
Exposição Fotográfica “Mulheres” com o fotógrafo, Fábio Conterno. Inspirada na beleza feminina e em momentos especiais que falam da realidade da mulher.
Local: Rua Rui Barbosa, nº 611 – Universidade Paranaense (UNIPAR).
Data: 19/09
Horário: 8 às 22 horas
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Apresentação Musical: Grupo Acácias. “O que Cantam as Mulheres”; Arranjos: Luciano Veronese (Produtor Musical) e Valécia Bressan (Profª de Canto).
Local: Rua Rui Barbosa, nº 611 – Universidade Paranaense (UNIPAR).
Data: 19/09
Horário: 19h15 às 20h20
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Palestra: “Retratos Matrimoniais: A Feminilidade entre Alianças”, ministrada pelo fotógrafo, Fábio Conterno.
Local: Rua Rui Barbosa, nº 611 – Universidade Paranaense (UNIPAR)
Data: 19/09
Horário: 20h às 21h30
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Contação de História: “A Moça Tecelã” de Marina Colassanti, contada por Janete de Souza Lopes.
Local: Colégio Estadual Padre Carmelo Perrone. Avenida Assunção, esquina com a Rua Cuiabá, Bairro Alto Alegre.
Data: 20/09
Horário: 19h30 às 20h30
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Contação de História: “A Moça Tecelã” da Escritora Marina Colassanti, dramatização do Grupo Trupe do Rabisco da Biblioteca Pública Sandálio dos Santos.
Local: Legião da Boa Vontade (LBV) - Avenida Brasil, nº 9749 e instituições educacionais e sociais a serem agendados.
Data: 23/09
Horário: 14h às 17h30
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Colcha de Memórias: O Museu Histórico em parceria com o Instituto Latino Americano de Sustentabilidade promovem a produção de uma colcha com o intuito de expor as memórias de mulheres com retalhos de tecido.
Local: Em instituições educacionais e sociais que desenvolvem trabalhos desenvolvidos com mulheres. Com a colaboração do professor Edson Gavazzoni.
Data: 19/09 – 24/09
Horário: 8h às 17h30
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Visita Guiada com o Pioneiro Valdir Webber
Local: Escola Municipal Profª Michalina K. Sochodolak
Data: 22/09
Horário: 15h
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Colcha Digital da Memória: A partir do relato das mulheres serão formados arquivos digitais, estes produzidos pela empresa Ecoeducar e representados por obras da artista plástica, Tere Tavares.
Local: Centro Cultural Gilberto Mayer (Rua Duque de Caxias nº 379 – Centro)
Data: 10/10
Horário: 8h às 17h30
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Fonte: http://www.cascavel.pr.gov.br/noticia.php?id=19986