sábado, 28 de maio de 2011

Alquimia

a angustia de não me ter
desliza aos meus pés

vazio & fastio
espiam
no revés

rasa
bambu na tempestade
beijo o chão umedecido

arrancando do próprio sangue um motivo
cresce uma flor de milagre

surpreendo-me
cada lágrima é agora
uma alquímica rosa
exposta em minha sala

Tela -Vermelho Rosa- 2006
Tere Tavares  

5 comentários:

Salete Cardozo Cochinsky disse...

Querida Tere
E assim sempre terás o que num momento parace fugaz.
O milagre de construir-se a partir de lugares tantos.
Bela poesia.
Beijos
Salete

margoh werneck disse...

Lindo!!!

abraço

João Esteves disse...

Terê, estes seus versos são pura fineza, gosto muito disso.
Beijos

Djabal disse...

Sabemos pouco demais
De um punhal que leva a gente
Ao aço de outros punhais,
Pouco do rio, do mar,
Das galerias do ar,
Da emboscada de um jaguar,
Dos segredos da serpente.

Como homenagem coloco lado a lado, um excerto de outro poeta maior: Paulo Mendes Camps, o poeta dos poetas.
Que termina:

Qué antorcha iluminará
Los caminos en la Tierra?

Melhor comentário não poderia haver.
Meus parabéns, como sempre. Felicidades e muitas, e sempre.

antes blog do que nunca! disse...

Palavras aromáticas em versos que sabem ser todos os nossos outros.

1 Bj*
Luísa