terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Ainsa

Ainsa




Sentiu-se ínfimo. As dúvidas lhe escorreram pelo rosto. Não foi a primeira vez. Provavelmente também não seria a última. Que culpa haveria num ser que não se preocupava somente com o próprio curso, atendendo ao que não conseguia estagnar?

Não tinha pretensões, absolutamente nenhumas. Logo ele, tão simples, cordato, altruísta. Não se deixaria abater por nenhuma ilusão desocupada. Não sabia se tinha amigos ou admiradores – talvez amigos e admiradores fossem vernizes de uma tonalidade diversa. Solitários. Sumamente necessários.

Caminhava resoluto, como se provasse uma paz recém colhida. Felizmente “o enfeitador de paredes” não se havia esgotado. Arrematou o último exemplar. Identificava-se de algum modo ainda não descoberto com a obra e com o autor.

As dúvidas deixaram a face e ganharam o ar. Subiram nas árvores, pousaram na tepidez das folhas. O mesmo verde da cor primária. Não prosseguia de outra forma que não fosse a de apaixonar-se continuamente pelo que acreditava. O que poderia doar a todos. Seus momentos carregados de eternidade. O semblante único. A esperança insólita que lhe brotava na pele sem perder a alegria de germinar.


Foto da autora

13 comentários:

Roberto disse...

Amiga das letras. Cada vez que leio seus textos me sinto invadido pela inspiração. Formam um nectar vital para quem aprecia o belo. Beijão,

Madalena Barranco disse...

Querida Tere,

E eu fui pesquisar o que era "Ainsa", pois depois de absorver a luz de seu texto pensei que aquele título tinha algo muito especial... O personagem apaixonado pelo que acreditava pousando dúvidas em folhas e ainda com momentos carregados de "verdade" eterna! E então entendi ainda mais a alma do seu maravilhoso personagem, viajante eterno em nossos corações: Ainsa tinha aver com Ghandi, com não violência, com a força da luz sobre a ignorância.

Obrigada Tere, por esses momentos de eternidade em meu coração.

Beijos, super carinho
Madá

Renato Torres disse...

Tere,

segue sem cessar a nossa incredulidade diante do que é eterno. daí nossos momentos angustiosos, donde sempre emergimos um pouco mais próximos da verdade. me vi inteiro no teu escrito, sincero.

beijos,

r

Solivan disse...

Tere é belo e aconchegante seu blog
palavras e musicas e imagens.

Carlos Ricardo Soares disse...

Leio os teus textos com um olho neles e outro nos teus quadros e descubro em ambos o prazer especial da perseverança de uma linguagem que emana de combinações de cores e de sinais...
A arte nunca desilude.
Abraço

Ricardo Mainieri disse...

Esta prosa é um mergulho nas correntes oceânicas que trazemos em nosso íntimo.
Por vezes revolta, nossas ondas internas nos conduzem feito nau sem rumo.
No entanto, para que se deixa levar pelo curso das sensações, descobre novas possibilidades.


Abraço.


Ricardo Mainieri

Djabal disse...

De fato quando a paz se instala e a dúvida se esvai, tudo se ilumina.As pretensões já falecidas não ressuscitam. Resta a tepidez das folhas como seu berço esplêndido e eterno. A vida é sagrada e consagrada pelo texto, pela intenção, e pela paz. Namaste.
Felicidades, paz, e harmonia. Sempre. Abraços e obrigado pela partilha.

Madalena Barranco disse...

Tere, querida,

Quem manda você encantar com tanta propriedade de cores? Hehehe - acabai tomando a liberdade de linkar seu texto novamente nas dicas de prosa que faz bem ao coração, no Pétalas. Obrigada:)

Beijos
Madá

Carol P. disse...

Tere, saudações!

Venho ter por cá no de uma primeira vez que, minha nossa, já me pôs desvario bom de querer voltar sempre. Palavras suas, imagens suas, música que a gente fica da mantenência muito aprazível com a gente, e no de encantável, titilando imaginaturas incríveis... tudo isso, e mais que isso, e para além de uma concretude pavimento-asfalto é o tenho pra mim querer sempre vir cá encontrar textos, sons, ligaduras imagéticas que hoje com certeza me deixaram muito além do rés-do-chão pra ir lendo e vendo e escutando e sentindo as lindezas todas deste seu espaço - lindeza mesmo!

Parabéns pelo trabalho, querida. Um carinho,

Carol P. Theartbrazil

Folhetim Cultural disse...

Olá gostaria que visita se meu blog que é dedicado a cultura. Espero que goste nele tenho uma coluna poética aos sábados ás 09 da manhã espero poder contar com sua visita.

Sucesso em seu espaço.

Magno Oliveira
Twitter: @oliveirasmagno ou twitter/oliveirasmagno
Telefone: 55 11 61903992
E-mail oliveira_m_silva@hotmail.com

Maria João disse...

Tere

Este texto, escrito com sabedoria e docura, permite-me o encontro com o contorno de uma silhueta de paz com que me identifico tanto. É como um respirar que se absorve das folhas e a elas retorna, porque a elas pertence.

Um enorme beijinho e muitos parabéns!

Eduardo Lacerda disse...

Saudades de você, minha amiga.

Parabéns pelos (sempre) lindos trabalhos.

Abç,

Eduardo Lacerda

Leandro soriano disse...

Escrever é uma ato musical. Afina-se o instrumento criativo com a sensibilidade interna das inspirações. O resultado toca o ouvinte/leitor no ritmo, na batida do seu coração. Suas "composições" agradam harmoniosamente os "ouvidos" literários.

Abraços
Leandro Soriano