quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu em mim; de um outro lado

O Banco de Talentos, iniciativa cultural da Febraban - Federação Brasileira de Bancos, há 15 anos identifica e valoriza os bancários que desenvolvem habilidades artísticas. Ciclos bienais pesquisam nos anos pares, as categorias Fotografia, Música e Pintura e, nos anos ímpares, Artesanato, Canto Coral, Escultura, Literatura e Teatro. Em 2009 aconteceu a décima sexta edição.

Desprovido de caráter competitivo, o evento não premia e não atribui classificações. Todos os selecionados têm seus trabalhos divulgados em exposições, shows, livros e CD's que são gratuitamente dirigidos a críticos especializados, galerias de arte, bibliotecas, escolas de artes e empresários que investem em atividades culturais, assim como a autoridades e lideranças empresariais.

Na categoria Literatura-Poesia a comissão de jurados foi composta pelos especialistas Carlos Francisco de Morais, Betty Vidigal e Milton de Godoy Campos.

O poema “Eu em mim; de um outro lado” de minha autoria, foi um dos escolhidos!

Na noite de 09 de novembro de 2009, no Citibank Hall em São Paulo, houve a exposição dos trabalhos selecionados nas várias categorias, com apresentação da dupla Sá & Guarabyra fazendo a abertura do show, e na seqüência os cantores e cantoras do Banco de Talentos - Música. Uma festa linda da qual tive a alegria de participar.


Eu em mim; de um outro lado

Estes ramalhetes de alvoradas
que seguro entre os dedos
são para descansar os pés retintos
os medos abandonados
a escorrer de um revés
são sais inteiros que ensaiam infinitos
nos mares que não meço
nem penso sem ver
são autos de bondade,
são segredos iluminados
com a amplitude secular do criador.

- mar és: disse-me a porção da procura –

Estes maços de crepúsculos
são a jura da saudade que impeço
a intenção de reter o instante
são pretextos invariáveis
diante da suposição de tornar visível
o desnível das ondas em que se adora permanecer
com a solitude salutar do navegador
urdindo a âncora, a loucura de vir a ser.

- torna-te o que és: disse-me Píndaro.

Este aro de razão
é a estrofe do estupor
a catástrofe difusa
a chuva do amor que se confunde
na ínfima virtude da ilusão
do que será somente – senão.

14 comentários:

Ricardo Mainieri disse...

Terê:

Há alguns anos atrás, por ocasião do lançamento de teu primeiro livro, comentei tua estreita ligação com a Natureza.
Sinalizavas a Natureza como nutridora da seiva da inspiração, da explosão do feminino, da sacralidade.
E vejo, neste teu poema, premiado de forma justa, o emergir na Natureza como suporte para as emoções internas, como um espelho da alma.
Parabéns, tens direito a toda esta festa!

Beijão.

Ricardo Mainieri

Carlos Ricardo Soares disse...

Parabéns pela homenagem e parabéns pelo poema que, de verso em verso, se vai abrindo como uma corola de metáforas lindíssimas e nunca vistas.
Beijo

luís filipe pereira disse...

"Eu em mim: de um outro lado", fantástico todo o poema; as diversas flutuações da alteridade de um Eu que ousa multiplicar-se em torno da "loucura de vir a ser": hino poético à "porção de procura" que interminável nos cabe.
meus parabéns!
luís filipe pereira

Madalena Barranco disse...

Tere querida,

Seus poemas são como viagens entre jardins iluminados, onde leio as alvoradas que você poeta com tanto amor. Parabéns, querida, você merece esse carinho e reconhecimento, e fico aqui pensando como esse poema fará bem aos leitores que o virem & sentirem nas exposições.

Muitos beijos.

Ney Alexandre disse...

Tere, Vc já sabe td que penso sobre vc e sobre suas obras,então, permita-me apenas um "faniquito" de fã incondicional: estou extremamente envaidecido de ver seu talento cada vez mais reconhecido. Amo vc demais, anjona!

Rosemari disse...

Tere

Toda vez que você traz notícias sobre suas conquistas sinto-me orgulhosa de ti. Ver seu trabalho reconhecido é maravilhoso, é uma alegria que parece ser a minha própria vitória.
E esse poema merece muitas vitórias, alías ele é a própria vitória "sua em você mesmo "através de versos magníficos.

beijos

Djabal disse...

É um orgulho e um prazer saber do seu reconhecimento, os especialistas que viram e escolheram, posso dizer, tem muito bom gosto.
As imagens dos maços de crepúsculos, a aproximação do mar e o aro da razão, são pequenas peças musicais que causam um espanto estético muito agradável. Este espanto é esperado, mas sempre veem de um lado não previsto, a surpresa de uma boa surpresa. Parabéns, querida amiga, beijos.

Salete Cardozo Cochinsky disse...

Querida Tere
Parabéns!
É inegável tua condição de poetisa e escritora.
Me encanta tua maneira de expressar metafórica e sintéticamente um mundo de percepções e afetos.
E essa saudade infinita!?
Faz parte de nós não?
Beijos

Renato Torres disse...

querida ter,

parabéns! teu poema é maravilhoso, e me reconheço muito nele, é incrivelmente próximo dos meus delírios de poeta... um beijo de saudades e de admiração!

r

José Maria Alves disse...

Não ando sumido em pensamento.
Sinto tanto orgulho de ti.
Sucesso!
Bjo

Tere Tavares disse...

Olá caros leitores,
Recebo-os com alegria renovada,a vinda, a leitura, a amizade e a partilha. Obrigada, muito mesmo. Abração a todos.

antes blog do que nunca! disse...

Mais um momento de profunda alegria. Bem hajas Tere Tavares, maior exemplo de talento, orgulho dos amigos!

1 Bj*
Luísa

Tere Tavares disse...

O meu carinho querida Luísa. Obrigada!

Ana Guimarães disse...

Assino embaixo do que disse nosso amigo Ney Alexandre! Parabéns, querida! E também me desculpo, como o Zé, não tenho vindo mais aqui (e ali) porque ando adoentada, há meses, com labirintite. Mas fico muito feliz, sempre, ao te ler.
Grande abraço, Tere!