domingo, 26 de outubro de 2008

Passagem

Passagem

Hoje saio do inferno astral.
Vivo mais um ano e me sinto feliz.
Afinal, o final feliz não é mais que um novo início.
Às vezes é preciso mais que a mudez de um absorto monossílabo
para dobrar o sim que o ego reclama.

Pode ser que eu ame muito meus talvezes.
Pela intuição de que tudo é irreal,
vejo mais claramente a realidade.
Sempre estou não estando,
Na ramagem de uma escritura de um aroma,
Num livro que espera.

do livro "Meus Outros"

2 comentários:

Lu Cavichioli disse...

Quem quiser ler a obra de Tere Tavares tem que infiltrar-se na alma e de lá identificar cada sílaba, cada pedacinho de poesia.

Eu... sinceramente, fico meio que pregada em cada palavra que ela escreve.

E tem gente que pode até pensar que é puxassaquismo, mas não é MESMO!
Eu falo o que sinto e o que penso.
Beijo, linda Tere!

neo-orkuteiro disse...

Seus talvezes só podem mesmo ser muito amáveis, Terê. Só você mesma sabe deles, e eu, absoluta e necessariamente desconhecendo-os, posso contudo presumir que sejam de várias naturezas, a cada confronto ontológico, aletológico, epistemológico, lógico, qualquer-outra-coisógico. Todos estes talvezes seus, no que quer que consistam, têm grande propensão a terminar servindo e impulsionando sua poética. O que aqui me chega como resultado final já é quanto basta, Terê, principalmente pelo invariavelmente denso teor estético, para que eu mesmo, também, os ame. Um viva a todos os talvezes seus!